Um dos problemas mais graves que afetam diretamente a qualidade de vida da população voltou a ganhar destaque nacional. Várzea Grande aparece entre as cidades com pior desempenho em saneamento básico em todo o país. Segundo o Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, o município ocupa a 97ª posição entre as 100 maiores cidades brasileiras, ficando entre as quatro piores do Brasil.
O levantamento é feito com base em dados oficiais e avalia critérios fundamentais como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, além das perdas no sistema de distribuição. E o resultado evidencia uma realidade preocupante, que vai muito além da infraestrutura: trata-se de um problema de saúde pública.
UM CENÁRIO DE DEFICIÊNCIA HISTÓRICA
Os números mostram que uma grande parcela da população ainda vive sem acesso adequado a serviços básicos:
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Apenas cerca de 30% dos moradores têm acesso à coleta de esgoto
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O tratamento do esgoto é ainda mais limitado, deixando grande parte dos resíduos sem destino adequado
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O sistema de abastecimento de água apresenta falhas, com altos índices de perda antes de chegar às residências
Esses dados refletem anos de investimentos insuficientes e dificuldades na gestão do sistema, resultando em uma estrutura que não acompanha o crescimento da cidade.

PROBLEMAS QUE A POPULAÇÃO ENFRENTA NO DIA A DIA
Na rotina dos moradores, a deficiência no saneamento é sentida de forma direta:
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Interrupções frequentes no fornecimento de água
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Regiões que dependem de soluções improvisadas, como caminhões-pipa
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Presença de esgoto a céu aberto em diversos pontos
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Mau cheiro, proliferação de insetos e degradação do ambiente urbano
Essa realidade impacta principalmente as áreas mais vulneráveis, ampliando desigualdades e dificultando o desenvolvimento social.
OS RISCOS À SAÚDE SÃO GRAVES
A falta de saneamento básico adequado está diretamente ligada ao aumento de diversas doenças. Entre os principais riscos estão:
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Doenças intestinais causadas por água contaminada
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Infecções como hepatite A
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Proliferação de parasitas e verminoses
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Aumento de casos de dengue, zika e chikungunya, devido ao acúmulo de água parada
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Contaminação do solo e de fontes de água
Crianças e idosos são os mais vulneráveis, podendo sofrer com complicações mais sérias. Além disso, problemas de saneamento sobrecarregam o sistema de saúde, gerando impactos que vão além do indivíduo.
INVESTIMENTO MUITO ABAIXO DO NECESSÁRIO
Outro fator determinante para esse cenário é o baixo investimento no setor. O valor aplicado por habitante está muito aquém do necessário para garantir melhorias reais. Especialistas alertam que, sem aumento significativo de recursos e planejamento eficiente, será difícil reverter a situação nos próximos anos.
IMPACTO ECONÔMICO E SOCIAL
A deficiência no saneamento não afeta apenas a saúde, mas também a economia local:
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Desvalorização de imóveis
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Dificuldade de atração de novos investimentos
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Prejuízos ao comércio e à indústria
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Aumento de gastos públicos com saúde
Ou seja, o problema se transforma em um ciclo que trava o desenvolvimento da cidade.
UM DESAFIO QUE NÃO PODE MAIS SER IGNORADO
O Brasil tem metas para universalizar o saneamento até 2033, mas, diante do cenário atual, Várzea Grande ainda tem um longo caminho pela frente. A reversão desse quadro depende de planejamento, investimento e prioridade política.
O alerta está dado: saneamento básico não é luxo — é essencial. E enquanto ele não chega para todos, os riscos continuam crescendo, afetando diretamente a saúde, a dignidade e o futuro de toda a população.