A violência psicológica contra mulheres registrou um crescimento alarmante em Mato Grosso. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o estado teve um aumento de 70,3% nas ocorrências desse tipo de crime em apenas um ano, passando de 2.151 registros em 2024 para 3.720 em 2025. Com isso, Mato Grosso alcançou a segunda maior taxa do país, ficando atrás apenas de Roraima.
A violência psicológica acontece quando a vítima sofre ameaças, humilhações, perseguições, chantagens, manipulação, isolamento social, controle excessivo ou qualquer comportamento que prejudique sua saúde emocional, autoestima ou liberdade. Muitas vezes, esse tipo de abuso acontece dentro de relacionamentos e pode anteceder agressões físicas e até casos de feminicídio.
Além do aumento da violência psicológica, o levantamento também revelou crescimento em outros indicadores preocupantes. Os casos de perseguição (stalking) aumentaram 31,6%, enquanto as tentativas de feminicídio cresceram quase 39% no estado. Já os registros de descumprimento de medidas protetivas também apresentaram alta, evidenciando que muitas mulheres continuam em situação de risco mesmo após conseguirem proteção judicial.
Embora as ocorrências de ameaça tenham apresentado uma pequena redução em relação ao ano anterior, elas continuam sendo o tipo de violência mais registrado contra mulheres em Mato Grosso, demonstrando que milhares de vítimas seguem convivendo diariamente com situações de intimidação e medo.
Especialistas apontam que a violência psicológica costuma ser silenciosa e difícil de identificar, tanto pela vítima quanto por familiares. Frases ofensivas constantes, controle sobre amizades e redes sociais, chantagens emocionais, ciúmes excessivos, intimidação, humilhações públicas ou privadas e ameaças são alguns dos sinais mais comuns.
Como denunciar
Mulheres que estejam sofrendo qualquer forma de violência podem procurar ajuda imediatamente. As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais:
- Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia para orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias.
- Polícia Militar (190) – Em casos de emergência ou quando houver risco imediato.
- Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher (DEDM) – Para registrar boletins de ocorrência e solicitar medidas protetivas.
- Delegacias de Polícia Civil – Nos municípios onde não houver delegacia especializada.
- Ministério Público e Defensoria Pública – Também podem auxiliar vítimas na busca por proteção e garantia de direitos.
A Lei Maria da Penha reconhece a violência psicológica como uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, garantindo medidas protetivas e responsabilização do agressor.
Os números reforçam a importância da denúncia e da busca por apoio. Quanto mais cedo a vítima consegue romper o ciclo de violência, maiores são as chances de evitar que as agressões evoluam para formas ainda mais graves, preservando sua integridade física, emocional e sua própria vida.