As investigações sobre o assassinato do advogado Renato Nery ganharam um novo desdobramento após a Polícia Civil identificar movimentações financeiras que, segundo a autoridade policial responsável pelo caso, reforçam a tese de que o crime foi planejado e financiado pelos supostos mandantes. A análise bancária apontou transferências que somam aproximadamente R$ 215 mil, valor que teria sido utilizado para custear toda a execução do homicídio.
De acordo com o delegado Bruno Abreu, responsável pelas investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o rastreamento dos pagamentos permitiu reconstruir parte da dinâmica financeira da organização envolvida no crime. Conforme a investigação, os recursos teriam sido distribuídos entre os participantes da ação criminosa, fortalecendo a acusação de que o homicídio foi cuidadosamente planejado e executado mediante recompensa financeira.
A Polícia Civil sustenta que os empresários apontados como mandantes decidiram eliminar o advogado em razão de interesses econômicos ligados a uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural de alto valor. Segundo os investigadores, a decisão favorável obtida por Renato Nery no processo teria provocado prejuízos milionários aos investigados, motivando a contratação do assassinato.
As apurações também indicam que a execução teria contado com uma estrutura organizada, composta por diferentes participantes com funções específicas. Conforme o inquérito, além dos supostos mandantes, houve pessoas responsáveis pela intermediação do crime, pelo fornecimento da arma, pela contratação do executor e pela logística da fuga após os disparos.
O advogado foi morto a tiros em julho de 2024, em frente ao próprio escritório, em Cuiabá. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação do atirador, que aguardou a chegada da vítima antes de efetuar os disparos e fugir do local em uma motocicleta. As gravações passaram a integrar o conjunto de provas reunidas durante a investigação.
Segundo a Polícia Civil, o cruzamento de informações financeiras, depoimentos, perícias e demais elementos colhidos ao longo da investigação permitiu estabelecer a ligação entre os envolvidos e a movimentação do dinheiro destinado à execução do crime. Para os investigadores, as transferências identificadas representam uma das principais evidências materiais da participação dos supostos mandantes na contratação do homicídio.
O caso segue em tramitação na Justiça e os demais denunciados ainda deverão responder pelos crimes imputados pelo Ministério Público. A expectativa é de que os próximos julgamentos aprofundem a análise das provas produzidas durante a investigação, incluindo os documentos bancários, laudos periciais, depoimentos e demais evidências reunidas pela Polícia Civil.
A defesa dos acusados nega as acusações e busca contestar os elementos apresentados pela investigação. O mérito das imputações será analisado pelo Poder Judiciário ao longo do processo, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa de todos os envolvidos.